É um tanto ou quanto esquisito e parvo aguardar uma coisa que não se sabe muito bem o que é nem de onde vem.
Quando Eva abriu a porta da sua caixa de correio minúscula viu qu era um pacote embrulhado com o papel da loja de discos onde costumava ir. Tinha um laço vermelho enorme.
Eva abriu cuidadosamente o embrulho. Lá dentro estava um disco de vinil. O disco era das Blondie e era o eat to the beat. Eva andava ansiosa por aquele disco há imenso tempo. Lá dentro estava também um bilhete que dizia:
"Parabéns!
Sei que me atrasei um pouco, visto já teres feito anos há quase um mês mas o que conta é a intenção. Beijos
Charlie"
Charlie era o dono da loja de discos. Era um velhote simpático que Eva considerava quase como um pai.
Eva não tinha pai. Se o tinha desconhecia o paradeiro dele. Quando a mãe de Eva, Stella, engravidou nunca disse a John(o pai de Eva) que estava grávida, pois tinha medo de ser abnadonada. Eva nasceu e quando John soube acusou a mulher de traição e rejeitou a filha. Eva foi viver com a avó materna. Stella enverdou pelo mundo da droga, de onde ainda não saiu.
Eva viveu com a avó até aos 17 anos. A avó acabou por falecer com um enfarte.
Agora, Eva está praticamente sozinha no mundo. Já não vê a mãe há anos. O pai, se está vivo ou morto não sabe.
Eva pegou no embrulho e levou- o para dentro. Zoe estava a dormir em cima da cama. Eva ligou para agardecer a Charlie.
Foi fazer café. Enquanto bebia o café, sentada no sofá, Zoe acordou. Olhou para o relógio e deu um pulo. Eva perguntou-lhe o que se passava, mas Zoe nem a ouvia. Vestiu-se em poucos segundos, despediu-se com um beijo e saiu, rumo ao nada. Eva achou a atitude muito estranha mas encolheu os braços e rumou á cozinha, onde iria preparar o jantar. Era uma péssima cozinheira mas gostava de improvisar sempre qualuqer coisa. Jantou esparguete com almôndegas. Até ficou espantada por estar tão bom.
Depois de lavar a loiça e arrumar a cozinha, vestiu-se e saiu até ao café onde ia habitualmente.
Desceu calmamente as escadas do prédio. Quando chegou ao pequeno hall começou a ouvir sirenes e a ver as luzes de ambulâncias e dos carros de polícia. Correu para ver oq ue tinha acontecido. Qaundo soube o que acontecera nem queria acreditar de tão trágico!
quarta-feira, 23 de abril de 2008
domingo, 13 de abril de 2008
Capítulo I
Eva era o nome.
Odiava os EUA e hip hop.
Odiava o seu feitio e a depressão que tinha.
Odiava limpar a casa e o frio.
Odiava a sua vida naquele momento.
Eva vivia em Londres, mais propriamente na Marshall Street.
Vivia com a gata Mia e com o peixe Jack.
Vivia num apartamento simplesmente decorado. Nas paredes havia pendurado alguns posters emoldurados de cartazes de publicidade antigos. Tinha uma pequena cozinha muito bem arrumada, uma sala com sofás e mobilia bastante antiga, talvez dos seus avós, um quarto despido de cor, onde apenas estavam uma cama e uma televisão a preto e branco e uma porta semi-aberta que dava para a casa de banho.
Eva sentia-se feliz ali. Aquele era o seu mundo e sempre sonhara ter uma casa assim.
Era um dia cinzento de Abril. Chovia aos poucos lá fora. Eva estava sentada no sofá da sala com Mia ao colo. Estava a ver televisão. Eram pouco mais de 11 horas da manhã. Em cima da mesa da sala estava um chávena quase meia de café morno que, de vez em quando, ela levava á boca. Naquele dia Eva tinha planeado ir ao cinema mas, com aquele tempo, nem lhe apetecia mexer um dedo. Passaram 20 minutos desde que Eva mudou de canal quando o telefone tocou. Eva levantou-se do sofá, calmamente, e foi atender.
- Sim?
- Bom dia. Com quem estou a falar?
- Com a Eva. Quem é o senhor?
- Vê a tua caixa do correio ás 17 horas.
- Mas quem é...
A chamada caiu. Eva sentia-se amedrontada e nervosa.
A voz que tinha ouvido ao telefone era meio rouca. Possivelmente vinda de um homem com 60\70 anos.
Rapidamente, Eva comeu qualquer coisa, vestiu-se e saiu de casa, meio desorientada. Rumou ao café onde habitualmente ia com alguns dos poucos colegas.
- Phoebe, é um café, uma torrada e um copo de leite. - disse Eva entrando de rompante no café, quase vazio.
- Bom dia também para ti miss simpatia! - gracejou a empregada do café, uma muler de ar simpático na casa dos 50 anos.
- Oh! Bom dia Phoebe... - pronuciou estas palavras como que envergonhada.
O café, a torrada e o copo de leite não tardarm a ser servidos e devorados. Eva comeu a correr. Pagou. Saiu do café ainda mais desorientada. Vagueou pelas ruas, como se nunca tivesse ali estado. Parou num cruzamento. Meteu a mão ao bolso. Tirou de lá um telémovel incrivelmente pequeno. Procurou um número muito depressa e pôs o telémovel perto do ouvido. Esperou um momento...
- Funerais para sempre! Ligue-nos e terá o funeral que sempre quis ter! Nunca recebemos reclamações! - gritou uma voz do outro lado do telémovel, levando Eva a afastá-lo ligeiramente da orelha.
- Pára com isso Zoe! Preciso de falar contigo. - disse Eva, sorrindo.
- Então? Que se passa? Não me digas, estás grávida! AhAhAhAh!
- Não Zoe!
- Oh! Assim não vejo qual seja a urgência... - pronuciou Zoe, desiludida.
- Zoe, estou á tua porta! Se fazes favor, vestes-te num instante e vens comigo, percebeste!? - gritou, em tom de brincadeira, Eva.
- Já vai, já vai! Já vai! - balbuciou Zoe.
Zoe foi rápida. Em pouco mais de 15 minutos já estavam a caminho de Marshall Street. Entraram em casa de Eva. Esta parecia bastante incomodada com o passar das horas... Era quase uma da tarde. Zoe notou a atmosfera pesada. Começou por acalmar Eva, dizendo-lhe que não devia ser nada de especial, e em seguida, oferecendo-se pra fazer o almoço. A casa foi ficando iluminada com o cheiro da comida.
- Eva, tira esse rabo gordo do sofá e vem comer o macarrão com queixo que fiz! - declarou Zoe.
- Estou a ir... - suspirou Eva.
Comeram rapidamente e perto das duas e meia da tarde já estavam a beber um chá. Passaram a tarde juntas. Zoe ou via televisão, ou dormitava, ou acarinhava Mia. Eva continuava tensa e olhava para a porta com medo. Chegaram as 17 horas. Eva, que já dormia, ouviu o bater da porta de entrada do prédio. Olhou pela janela da sala, que dava para a rua, mas não viu ninguém. Foi correr para a caixa do correio e foi então que esclareceu todas as suas dúvidas.
Odiava os EUA e hip hop.
Odiava o seu feitio e a depressão que tinha.
Odiava limpar a casa e o frio.
Odiava a sua vida naquele momento.
Eva vivia em Londres, mais propriamente na Marshall Street.
Vivia com a gata Mia e com o peixe Jack.
Vivia num apartamento simplesmente decorado. Nas paredes havia pendurado alguns posters emoldurados de cartazes de publicidade antigos. Tinha uma pequena cozinha muito bem arrumada, uma sala com sofás e mobilia bastante antiga, talvez dos seus avós, um quarto despido de cor, onde apenas estavam uma cama e uma televisão a preto e branco e uma porta semi-aberta que dava para a casa de banho.
Eva sentia-se feliz ali. Aquele era o seu mundo e sempre sonhara ter uma casa assim.
Era um dia cinzento de Abril. Chovia aos poucos lá fora. Eva estava sentada no sofá da sala com Mia ao colo. Estava a ver televisão. Eram pouco mais de 11 horas da manhã. Em cima da mesa da sala estava um chávena quase meia de café morno que, de vez em quando, ela levava á boca. Naquele dia Eva tinha planeado ir ao cinema mas, com aquele tempo, nem lhe apetecia mexer um dedo. Passaram 20 minutos desde que Eva mudou de canal quando o telefone tocou. Eva levantou-se do sofá, calmamente, e foi atender.
- Sim?
- Bom dia. Com quem estou a falar?
- Com a Eva. Quem é o senhor?
- Vê a tua caixa do correio ás 17 horas.
- Mas quem é...
A chamada caiu. Eva sentia-se amedrontada e nervosa.
A voz que tinha ouvido ao telefone era meio rouca. Possivelmente vinda de um homem com 60\70 anos.
Rapidamente, Eva comeu qualquer coisa, vestiu-se e saiu de casa, meio desorientada. Rumou ao café onde habitualmente ia com alguns dos poucos colegas.
- Phoebe, é um café, uma torrada e um copo de leite. - disse Eva entrando de rompante no café, quase vazio.
- Bom dia também para ti miss simpatia! - gracejou a empregada do café, uma muler de ar simpático na casa dos 50 anos.
- Oh! Bom dia Phoebe... - pronuciou estas palavras como que envergonhada.
O café, a torrada e o copo de leite não tardarm a ser servidos e devorados. Eva comeu a correr. Pagou. Saiu do café ainda mais desorientada. Vagueou pelas ruas, como se nunca tivesse ali estado. Parou num cruzamento. Meteu a mão ao bolso. Tirou de lá um telémovel incrivelmente pequeno. Procurou um número muito depressa e pôs o telémovel perto do ouvido. Esperou um momento...
- Funerais para sempre! Ligue-nos e terá o funeral que sempre quis ter! Nunca recebemos reclamações! - gritou uma voz do outro lado do telémovel, levando Eva a afastá-lo ligeiramente da orelha.
- Pára com isso Zoe! Preciso de falar contigo. - disse Eva, sorrindo.
- Então? Que se passa? Não me digas, estás grávida! AhAhAhAh!
- Não Zoe!
- Oh! Assim não vejo qual seja a urgência... - pronuciou Zoe, desiludida.
- Zoe, estou á tua porta! Se fazes favor, vestes-te num instante e vens comigo, percebeste!? - gritou, em tom de brincadeira, Eva.
- Já vai, já vai! Já vai! - balbuciou Zoe.
Zoe foi rápida. Em pouco mais de 15 minutos já estavam a caminho de Marshall Street. Entraram em casa de Eva. Esta parecia bastante incomodada com o passar das horas... Era quase uma da tarde. Zoe notou a atmosfera pesada. Começou por acalmar Eva, dizendo-lhe que não devia ser nada de especial, e em seguida, oferecendo-se pra fazer o almoço. A casa foi ficando iluminada com o cheiro da comida.
- Eva, tira esse rabo gordo do sofá e vem comer o macarrão com queixo que fiz! - declarou Zoe.
- Estou a ir... - suspirou Eva.
Comeram rapidamente e perto das duas e meia da tarde já estavam a beber um chá. Passaram a tarde juntas. Zoe ou via televisão, ou dormitava, ou acarinhava Mia. Eva continuava tensa e olhava para a porta com medo. Chegaram as 17 horas. Eva, que já dormia, ouviu o bater da porta de entrada do prédio. Olhou pela janela da sala, que dava para a rua, mas não viu ninguém. Foi correr para a caixa do correio e foi então que esclareceu todas as suas dúvidas.
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